A comunicação organizacional através dos tempos – Parte 8 (Final)

Na metade da década de 80, toda expectativa com a eleição no Congresso do novo presidente civil Tancredo Neves caiu por terra com sua súbita internação apenas nove horas antes da posse, em março de 1985, que terminou com seu falecimento pouco mais de um mês depois. O vice José Sarney assumiu e governou o país em meio a sucessivas crises econômicas, simbolizadas por planos mirabolantes e ineficazes, mudanças de moeda e altíssima inflação.

Tais acontecimentos geraram uma espécie de ressaca após a comemoração da abertura política. A recessão se instalou no Brasil e muitas empresas tiveram que reduzir seus quadros funcionais. O fenômeno ocorreu inclusive nos meios de comunicação. Vários jornalistas foram demitidos e acabaram desembarcando nas empresas, onde começaram a assumir aos poucos os setores recém-criados de comunicação empresarial, disputando espaço com profissionais de RH que eram até então os responsáveis pelo diálogo com o público interno.

Este movimento marcou profundamente o conceito de comunicação empresarial no Brasil. Até então, falar de empresas era, de certa maneira, referendar as questões capitalistas, principalmente em época de Guerra Fria. Os jornalistas e os estudiosos de comunicação evitavam tratar do tema, o que fica evidenciado também pela pouca produção acadêmica sobre o assunto neste período.

Quem também começou a figurar no ambiente das organizações no que tange à atividade de comunicação interna foi o setor de Marketing. As empresas passaram a entender que esta área tinha um papel estratégico e, assim, os profissionais de relações públicas foram pouco a pouco cedendo espaço. Margarida Kunsch aborda esta questão em sua obra Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional (Summus).

“É um setor que vem ganhando mais investimentos em verbas e profissionais qualificados e no qual são desenvolvidas políticas definidas, em concordância com as estratégias de negócios da empresa. Essa evolução vem a exigir profissionais especializados em jornalismo, relações públicas e marketing, fazendo desaparecer a figura do assessor de imprensa ou do profissional de relações públicas como gestor da política de comunicação organizacional.” **

Em suma, o setor de comunicação interna nas empresas não estaria mais apenas vinculado ao trato com o governo, com a sociedade ou com os demais stakeholders. Era preciso desenvolver e integrar ferramentas que atendessem a essa nova realidade, criadas e geridas por profissionais de diversas áreas que tinham como objetivo comunicar da melhor maneira possível uma gama infindável de ações que precisavam chegar de forma plena e sem ruídos a todos os públicos.

No começo dos anos 90, o Brasil elegeu enfim um presidente civil, Fernando Collor de Mello. O novo governante instaurou um polêmico plano econômico, que além de confiscar a poupança, promoveu a abertura do mercado a produtos internacionais, acabando com a reserva de mercado. Um dos principais segmentos afetados foi a informática, que propiciou a difusão de hardwares e softwares no país. Esta medida foi fundamental para a implementação da computação no ambiente das organizações, que traria ferramentas inovadoras e que dominariam pouco a pouco o dia-a-dia dos trabalhadores, transformando por completo as relações internas da corporação.

E é essa relação entre a difusão das estratégias de comunicação interna nas empresas e a explosão da tecnologia no cotidiano das pessoas que abordaremos na nova série deste blog – A COMUNICAÇÃO INTERNA NA NOVA ERA DAS ORGANIZAÇÕES.

Fonte

** Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997, p.96

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