Tá na boca do povo 4 – Forma e conteúdo

O conteúdo podia ser parecido, mas as formas são bem diferentes. Será que estamos sempre atentos a isso também?

Estava varrendo a web em busca de um insight pro post de hoje e me deparei com uma notícia triste, mas comum até demais no meio médico. Uma paciente que estava internada em um hospital no Ceará morreu ao receber glicerina no lugar de soro.

A auxiliar de enfermagem que está sendo acusada pelo erro médico alega que o frasco da glicerina estava no lugar normalmente reservado ao de soro. A pergunta é: será que a diferença na forma das embalagens não lhe chamou a atenção?

O que isso tem a ver com a nossa área? Muito mais do que se imagina.

O insight me veio quando relacionei o fato com a velha discussão de forma e conteúdo. Quantas vezes alegamos que nossos colaboradores não prestam atenção nas informações passadas. Será que a rotina não os impede de olhar o novo? Será que mesmo variando a forma da mensagem  – ao invés de um A4 afixado no mural, um wobbler que literalmente salta de uma baia – o conteúdo continua passando despercebido? É quase como trocar soro por glicerina e provocar um dano irreversível.

Antes de julgar o erro da auxiliar de enfermagem, devemos pensar em como são as condições de trabalho na saúde pública e mesmo privada no Brasil. Estresse, ambiente confuso, arquitetura ideal inexistente e muitos outros ruídos se apresentam durante o desenvolvimento das tarefas cotidianas.

Ao invés de gastar uma fortuna trocando veículos, mudando canais e refazendo mensagens, observe o cenário no qual sua comunicação estará inserida e verifique se o clima está favorável.

Já tentou fazer um discurso no recreio de um colégio com milhares de crianças? Talvez isso não seja possível nem se você estiver vestido de Batman. Nem sempre o que parece óbvio e eficaz o é na realidade.

Será que se esses frascos tivessem um rótulo gigantesco nominando a substância do interior, teríamos ainda assim a confusão na troca dos produtos?

Tendo a acreditar que sim, infelizmente.

Olhe para os lados, para cima e para baixo antes de optar por um caminho na floresta. Às vezes a trilha mais evidente seja o caminho do abismo. O raciocínio para a comunicação é o mesmo!

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