Mural vazio

Peço desculpas pela falta de atualização recente do blog, mas estou prestando consultoria para uma instituição de outro estado, o que tem me tomado um pouco de tempo.

Imperdoável, mas justificável.

É a velha máxima da comunicação líder-liderado: dê sempre a notícia, mesmo que você não saiba muitos detalhes sobre o problema. Abra o jogo e diga “não sei, vou apurar”. Enquanto há silêncio, as versões paralelas ganham força e viram verdade.

Até breve!

Nem luxo, nem lixo

Vamos a mais uma provocação. Em 1989, o carnavalesco Joãozinho Trinta fez um desfile antológico no carnaval carioca com o enredo “Ratos e Urubus larguem a minha fantasia”. Nesta ocasião, o gênio proferiu a polêmica frase: “quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo”, uma máxima que desde então sempre vem à tona quando se fala na percepção sociocultural das diferentes classes econômicas a respeito de qualquer tema.

Novamente vem a pergunta: o que isso tem a ver com Comunicação Interna?

O insight desta vez surgiu de um estudo da WMcCann sobre o perfil dos internautas da classe C, feito com 3.050 entrevistados de cinco países da América Latina. Vira e mexe percebo a preocupação de muitos gestores de comunicação em alcançar colaboradores que nem sempre possuem acesso a computadores em seus postos de trabalho e que, portanto, possuem menos chance de receber determinadas mensagens corporativas que rodam nas intranets das organizações.

Mas quem disse que essas pessoas não têm acesso à rede em casa? O estudo aponta que “segundo o levantamento, o aumento do uso do meio digital promove igualdade social de forma mais rápida do que o aumento da renda e da qualidade da educação”. Quantas ofertas de computadores nós já vimos com valores entre R$700,00 e R$1.000,00 que são parcelados em suaves e longas prestações?

Parafraseando Joãozinho, nossos colaboradores querem sim o melhor e de repente estão lá na linha de produção fabril sem o monitor, mas com seu smartphone subsidiado pela operadora de telefonia acessando o Facebook e o Twitter sem custo adicional na fatura. Será que não estamos repetindo velhas máximas e operando de forma míope as nossas estratégias de comunicação?

Da mesma maneira que limitamos nosso pensamento para a velha estruturação dos ambientes organizacionais, agimos com o mesmo preconceito categorizando, por exemplo, Orkut pra Classe C, Facebook pra Classe AB. Veja aqui o que os analistas de mercado pensam sobre isso! Logo, se queremos alcançar os colaboradores e suas famílias, porque não pensar numa ação para redes sociais, site da empresa ou até mesmo celular?

O convite pra sair da caixinha permanece. Não é porque vamos desenhar uma ação pra planta industrial que devemos pensar em algo simples, “de fácil entendimento”, sem elaboração. O pensamento digital está acessível a quase todo mundo e se não pegarmos o bonde da história, vamos ficar pra trás, literalmente.

 

O que cabe no budget?

Pequena provocação em uma tarde ensolarada de inverno.

Você precisa definir a estratégia que irá nortear as ações de Comunicação Interna da sua organização. Diante desta missão, o que você faz?

a) Chama o Capitão Nascimento e passa pra ele a tarefa;

b) Faz o mais do mesmo: pra que mexer em time que está ganhando?

c) Pega o budget e analisa as ferramentas possíveis de se contratar com aquele valor.

d) Delega essa tarefa a alguém e depois discute com a equipe e apresenta as estratégias para a diretoria.

e) N.D.A

Provavelmente, a maioria optaria pela opção e), afinal, esse tipo de decisão varia muito de caso a caso e não tem fórmula pronta.

Mas será que a gente opta pelas melhores decisões ou por aquelas mais confortáveis? Ouvir o outro é um exercício difícil e nem sempre ficamos à vontade com isso. Mas acho que vale muito a pena.

Uma vez, me pediram uma opinião sobre os valores de uma proposta que devíamos fazer a uma grande empresa de varejo que queria lançar uma marca e mudar a identidade da holding em si. O budget, como sempre, era curtíssimo e não havia a menor possibilidade de incluir pesquisa quali e quanti. Eu disse que, por mim, embarcaria junto com os promotores para rodar os diferentes pontos de venda daquela empresa por uma semana. O que eu ouviria dessas pessoas que compram os produtos já valeria mais do que mergulhar de cabeça no projeto sem nenhuma informação. O custo dessa estratégia seria mínimo: almoço por 5 dias. E olha que nesses botecos do subúrbio ou do interior come-se bem e barato!

Garrafas pet viram oceano!

Criatividade é fundamental em quase todas as áreas. Vejam o que os carnavalescos conseguem produzir para as Escolas de Samba às vezes com budgets ínfimos! Uma garrafa pet pode ser aquário, sofá, piso, nave espacial…tudo mais que você for capaz de imaginar.

Basta ter boa vontade e sair da caixinha!

Tá na boca do povo 4 – Forma e conteúdo

O conteúdo podia ser parecido, mas as formas são bem diferentes. Será que estamos sempre atentos a isso também?

Estava varrendo a web em busca de um insight pro post de hoje e me deparei com uma notícia triste, mas comum até demais no meio médico. Uma paciente que estava internada em um hospital no Ceará morreu ao receber glicerina no lugar de soro.

A auxiliar de enfermagem que está sendo acusada pelo erro médico alega que o frasco da glicerina estava no lugar normalmente reservado ao de soro. A pergunta é: será que a diferença na forma das embalagens não lhe chamou a atenção?

O que isso tem a ver com a nossa área? Muito mais do que se imagina.

O insight me veio quando relacionei o fato com a velha discussão de forma e conteúdo. Quantas vezes alegamos que nossos colaboradores não prestam atenção nas informações passadas. Será que a rotina não os impede de olhar o novo? Será que mesmo variando a forma da mensagem  – ao invés de um A4 afixado no mural, um wobbler que literalmente salta de uma baia – o conteúdo continua passando despercebido? É quase como trocar soro por glicerina e provocar um dano irreversível.

Antes de julgar o erro da auxiliar de enfermagem, devemos pensar em como são as condições de trabalho na saúde pública e mesmo privada no Brasil. Estresse, ambiente confuso, arquitetura ideal inexistente e muitos outros ruídos se apresentam durante o desenvolvimento das tarefas cotidianas.

Ao invés de gastar uma fortuna trocando veículos, mudando canais e refazendo mensagens, observe o cenário no qual sua comunicação estará inserida e verifique se o clima está favorável.

Já tentou fazer um discurso no recreio de um colégio com milhares de crianças? Talvez isso não seja possível nem se você estiver vestido de Batman. Nem sempre o que parece óbvio e eficaz o é na realidade.

Será que se esses frascos tivessem um rótulo gigantesco nominando a substância do interior, teríamos ainda assim a confusão na troca dos produtos?

Tendo a acreditar que sim, infelizmente.

Olhe para os lados, para cima e para baixo antes de optar por um caminho na floresta. Às vezes a trilha mais evidente seja o caminho do abismo. O raciocínio para a comunicação é o mesmo!

A comunicação organizacional através dos tempos – Parte 7

No post anterior, vimos como a Ditadura Militar influenciou por completo a Comunicação Organizacional no Brasil. Se entre 1968 e 1975 vivemos o período considerado por muitos como “Anos de Chumbo”, foi no final da década de 70 que se instalou o clima de abertura para a reinstalação da democracia. A comunicação controlada e dirigida às instâncias superiores começou a ser revista e modificada por completo, conforme pode ser notado no trecho abaixo, assinado por Margarida Kunsch:

“Os departamentos de relações públicas eram limitados e já não correspondiam mais às exigências da sociedade e das organizações, que passaram a requerer uma comunicação muito mais estratégica. Além disso, a concepção vigente para a área, na época, ainda era guiada por uma filosofia superada, preocupada basicamente com a formação da imagem das organizações e o estabelecimento de um bom relacionamento com os diversos públicos, sobretudo com a imprensa e o governo. Houve, portanto, uma mudança não apenas da nomenclatura, mas também de conceitos.” **

O clamor popular pelas Diretas Já, a ação sistemática dos sindicatos, simbolizada principalmente pela grande greve de 1979 no ABC paulista (período no qual surge com força o nome de um líder metalúrgico chamado Luís Inácio da Silva) e a diminuição paulatina do controle nos organismos de censura fizeram com que os cidadãos começassem a expressar seus anseios. O movimento vinha tanto dos clientes externos demandando produtos de qualidade real e não mais promessas de propaganda, como dos clientes internos das empresas, lutando por seus direitos e exigindo igualdade de condições, carga de trabalho justa e digna e outras reivindicações que outrora estavam caladas pelo clima de terror e opressão que dominara o país nos últimos anos.

Sendo assim, a demanda por informações se instalou na sociedade. Questionar não era mais risco de vida e as empresas de uma hora para a outra se viram obrigadas a responder perguntas de toda ordem, vindas de diversas direções. Era fundamental, então, alinhar todas as respostas para manter seu público interno e externo em perfeita sintonia. Não era tarefa fácil, após tantos anos de cerceamento e vigilância dos órgãos do governo.

Foi então que surgiram algumas idéias pioneiras. Uma das mais relevantes foi o nascimento na Rhodia da Gerência de Comunicação Social, que se responsabilizou por garantir a integração entre as diversas práticas deste setor, dentre elas o relacionamento com a imprensa (assessoria e publicações), as relações públicas (projetos comunitários e institucionais) e o marketing social (pesquisa de mercado, valorização do consumidor e publicidade). Este plano foi difundido para veículos, escolas e outros grupos de interesse e rapidamente se firmou como modelo para outras organizações. O tratamento estruturado das informações auxiliou o rompimento dos feudos e abriu o cenário corporativo para que a comunicação entre os diversos públicos fluísse de forma direta e eficiente.

A esperança era o combustível daqueles coloridos anos 80. Mas uma crise inesperada e surpreendente tomaria de assalto a opinião pública e a sociedade e abalaria profundamente este movimento de retomada.

Fonte

** Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997, p.32

Help!

Entramos na Era da Colaboração. A Pepsico nos pede sugestões para escolher um novo sabor de Ruffles (sugiro Ruffles Arroz a Piemontese), a Coca-Cola nos convida a fazer parte de seu novo comercial, a Fiat abre sua plataforma de criação para que os consumidores ajudem-na a desenvolver seu novo modelo, o Fiat Mio, e por aí vai.

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. O futuro parece ser esse mesmo, movido ao bom e velho “a união faz a força”.

Mas e dentro de casa? Será que estas empresas ouvem seus colaboradores na hora de buscar soluções não só para suas marcas, mas para questões simples do dia-a-dia?

Um dos cases de inovação mais badalados do mercado é o Post It, da 3M. Sendo bem sucinto, é uma soma de tolerância a erros não-intencionais, com estímulo à criatividade e gestão do conhecimento. De um adesivo mal sucedido, a companhia chegou a um dos produtos mais vendidos de seu portfolio. Ou seja: uma grande ideia surgiu dentro de casa, a poucos passos do seu monitor. Talvez a alta direção contratasse dezenas de projetos a peso de ouro para obter o mesmo resultado, ou algo até inferior.

Quando falamos em Comunicação Interna, pensamos sempre em ações unidirecionais que saem da liderança para os funcionários. Criamos novas ferramentas, passamos pro digital, mas a essência quase sempre é a mesma: eu falo, você escuta.

É hora de aproveitarmos essa onda de cultura colaborativa e praticarmos a comunicação de via dupla no nosso cotidiano. Não falo de avaliação de desempenho, feedback ou pesquisa de clima. Isso é pra outro dia. Falo em caixas de sugestões, fórum de inovação, plataformas abertas e muita, mas muita conversa olho no olho e observação.

Além disso, se a empresa abrir espaço para ideias, é preciso promover a equidade na avaliação e dar o devido retorno em caso de utilização ou não da sugestão. Pior que não pedir ajuda é fazer pouco caso do apoio oferecido. Será a primeira e provavelmente última vez que seu funcionário vai dar algum palpite.

Para se instalar um ambiente colaborativo saudável, deve-se ter sempre em mente uma coisa: é preciso saber ouvir!

Ouvir é diferente de Escutar.

“Curtiu” meu email?

Houve quem achasse que ele estava na pior. Outros pensaram que o mesmo poderia ser substituído por meras notas no sistema. Mas nada disso: o email continua em alta na caixa de ferramentas de comunicação interna das organizações.

Para enriquecer ainda mais a mensagem, a Impactia promete lançar ainda este ano um novo recurso para as mensagens que circulam entre os colaboradores de uma organização, clientes e stakeholders. Será possível incluir nos emails informes corporativos com propagandas, botões de feedback, links, imagens e tantas outras opções criativas. O emissor não verá este conteúdo, mas o receptor sim.

O fluxo contínuo e poderoso de comunicação interna nas grandes organizações serviria, assim, de plataforma e canal de transmissão de mensagens organizacionais, sem configurar a prática do spam.

Conforme matéria do IDG Now!, “o serviço é oferecido na nuvem. O custo por conta de e-mail varia entre 5,81 reais e 58,10 reais, de acordo com o número de contas contratado pela empresa (o pacote mínimo atende a cinco contas).”

Será que isso vai pegar?

A conferir!

A comunicação organizacional através dos tempos – Parte 6

No capítulo passado, vimos que a tardia industrialização brasileira significou o florescimento também posterior da comunicação organizacional no país. Mas quando as coisas começavam a tomar seu rumo, um obstáculo se impôs no caminho.

Após o êxito popular do governo JK, que culminou com a inauguração de Brasília, o país viveu momentos difíceis. O presidente eleito Jânio Quadros renunciou após menos de oito meses de mandato. Assumiu, então, o vice João Goulart, tido como adepto do socialismo, que não contava com o apoio das elites dominantes e de alguns setores das Forças Armadas. Jango sofreu diversas pressões de grupos conservadores da sociedade brasileira, que viam o seu affair com países como China e União Soviética com maus olhos.

Para diminuir os poderes do presidente, instituiu-se no Brasil um governo parlamentarista (1961-1962). Em janeiro de 1963, João Goulart convocou um plebiscito para retomar o presidencialismo, com cerca de 80% dos eleitores a favor. Os poucos meses que durariam seu governo foram repletos de conflitos políticos e tensões sociais, que terminaram com o golpe militar em 31 de março de 1964.

Inicialmente, os militares pregavam que sua passagem por Brasília seria apenas para retomar a ordem política e que muito em breve seriam convocadas novas eleições. Como o país vivia certa agitação social, em um primeiro momento parte da população apoiou a manobra. Mas com o passar dos meses, os generais foram se sucedendo no comando do país e foram responsáveis por um governo ditatorial que durou 21 anos.

Em janeiro de 1968, o decreto 62.119 determinou a criação da AERP, a Assessoria Especial de Relações Públicas da Presidência. Este órgão foi o responsável pela divulgação oficial das verdades do governo, apresentando de forma simpática o regime instalado, escondendo a rígida censura que tomava conta da nação. Encontramos em Margarida Kunsch (1997) uma citação do brasilianista Thomas Skidmore sobre o assunto:

“(…) Uma equipe de jornalistas, psicólogos e sociólogos decidia sobre os temas e o enfoque geral, depois contratava agências de propaganda para produzir documentários para TV e cinema, juntamente com matérias para os jornais. Certas frases de efeito davam bem a medida da filosofia que embasava a AERP. “Você constrói o Brasil”; “Ninguém segura este país!”; “Brasil, Conte Comigo!”(…). As mensagens eram razoavelmente sutis, com habilidoso uso de imagens sonorizadas e o emprego de frases extraídas da linguagem popular. **

O país vivia um clima de terror semelhante ao já produzido pela Ditadura Vargas nos anos 30, quando o então presidente instituiu em 1939 o DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda. Este órgão, que controlava com vigor qualquer crítica ao governo, provocou o fechamento de diversos jornais, cerceou os movimentos artísticos e, claro, serviu para difundir os ideais do Estado Novo, com movimentos cívicos e ferramentas como o programa de rádio A Voz do Brasil que está no ar até hoje.

Sendo assim, durante o Governo Militar, o controle das atividades de relações públicas impactou de forma negativa as ações de comunicação empresarial, afetando diretamente o trabalho de comunicação interna nas organizações. Eram tempos de poucas perguntas, muito medo e aceitação muda de boa parte dos cidadãos que não tinham coragem ou não concordavam com a forma de reação ao regime, capitaneada pelas ações de guerrilha e por protestos de jovens universitários. Kunsch vai além em sua análise e aponta que:

“(…)a atividade era de interesse dos militares, a ponto de vários gerentes de relações públicas em grandes organizações na época terem sido militares. (…) a própria estratégia de relações públicas adotada a partir da gestão do General Médici virou um paradigma para todo serviço público e se reproduziu até mesmo em algumas grandes empresas.” ***

Apesar do milagre econômico apregoado pelos militares, a década de 70 foi marcada por um clima sombrio e sem grandes alterações no panorama da comunicação no interior das organizações.

Fontes

** Skidmore, Thomas apud Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997, p.26

*** Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997, p.27

Comunicar pode – e deve – ser muito divertido!

Abrindo a semana com um vídeo realmente instigante.

Quando se começa a trabalhar no estúdio de Tom Sachs, os colaboradores devem assistir a um vídeo sobre 10 regras fundamentais para a boa convivência e sua performance no trabalho. O que poderia ser uma chatice, torna-se uma experiência inesquecível e muito divertida. Em alguns momentos dei boas risadas com as comparações.

Vamos sair da caixinha e proporcionar aos nossos funcionários um conteúdo inspirador, criativo e, principalmente, alinhado ao novo modo de agir e pensar das pessoas 2.0.

Quem quiser saber mais sobre o trabalho do Tom, nem precisa pegar o passaporte. Seu trabalho estará na próxima exposição da Bienal, em São Paulo, a partir de 30 de setembro!

Confiram o resultado!

Tá na boca do povo 3 – Barba, cabelo e bigode

Uma das notícias mais comentadas da semana foi a decisão do TRT-BA que derrubou uma ação de 2010 na qual o Bradesco havia sido condenado a pagar R$100.000 de indenização por proibir seus funcionários de usarem barba, como mostra reportagem da Folha de São Paulo de hoje.

O assunto é polêmico e perpassa diversas discussões pró e contra temas como abuso de autoridade, preconceito, desrespeito a direitos individuais, etc. Mas fiquemos apenas com um trecho da matéria:

“Flávio Oliveira, conselheiro da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, diz que o banco não reclama de forma explícita com os funcionários, mas insinua que a aparência não está “boa”.” (grifo nosso)

Mais uma vez, volta o problema da falta de comunicação clara e transparente para os funcionários. Será que se o superintendente regional do banco visitasse uma das agências de Salvador e estivesse com barba, haveria esse tipo de insinuação?

Conceitos de garbo e elegância variam com o tempo e conforme cada cultura e nicho. Ter barba por muito tempo já foi símbolo de poder e austeridade e conheço pessoas, jovens, que deixaram a barba crescer para parecerem mais velhos e, consequentemente, mais experientes, requisito muito valorizado em alguns setores do mercado.

Não quero entrar no mérito se um bancário pode ou não usar barba, bigode, dreadlock, moicano, brinco, tatuagem e afins. Insisto novamente no ponto que considero crucial em qualquer relação: regras do jogo!

Uma vez fui participar de um processo seletivo em um hotel de categoria luxo aqui no Rio de Janeiro. Enquanto aguardava para ser entrevistado, fiquei lendo os textos que estavam no mural dos funcionários. Uma das matérias versava justamente sobre as regras para vestimentas e penteados de quem trabalhasse ali. Para se ter uma ideia, havia o modelo do coque que as mulheres deveriam portar e altura e dimensões máximas dos cortes masculinos, variados em cabelos lisos ou crespos.

Tudo isso pode parecer exagero, o esmero com o visual não é o que conta aqui nesse post. A verdade é que as regras estavam claríssimas e, pelo pouco que vi, eram seguidas por todos, independente de cargo.

Por que parece tão complicado ser claro e transparente?