A comunicação organizacional através dos tempos – Parte 7

No post anterior, vimos como a Ditadura Militar influenciou por completo a Comunicação Organizacional no Brasil. Se entre 1968 e 1975 vivemos o período considerado por muitos como “Anos de Chumbo”, foi no final da década de 70 que se instalou o clima de abertura para a reinstalação da democracia. A comunicação controlada e dirigida às instâncias superiores começou a ser revista e modificada por completo, conforme pode ser notado no trecho abaixo, assinado por Margarida Kunsch:

“Os departamentos de relações públicas eram limitados e já não correspondiam mais às exigências da sociedade e das organizações, que passaram a requerer uma comunicação muito mais estratégica. Além disso, a concepção vigente para a área, na época, ainda era guiada por uma filosofia superada, preocupada basicamente com a formação da imagem das organizações e o estabelecimento de um bom relacionamento com os diversos públicos, sobretudo com a imprensa e o governo. Houve, portanto, uma mudança não apenas da nomenclatura, mas também de conceitos.” **

O clamor popular pelas Diretas Já, a ação sistemática dos sindicatos, simbolizada principalmente pela grande greve de 1979 no ABC paulista (período no qual surge com força o nome de um líder metalúrgico chamado Luís Inácio da Silva) e a diminuição paulatina do controle nos organismos de censura fizeram com que os cidadãos começassem a expressar seus anseios. O movimento vinha tanto dos clientes externos demandando produtos de qualidade real e não mais promessas de propaganda, como dos clientes internos das empresas, lutando por seus direitos e exigindo igualdade de condições, carga de trabalho justa e digna e outras reivindicações que outrora estavam caladas pelo clima de terror e opressão que dominara o país nos últimos anos.

Sendo assim, a demanda por informações se instalou na sociedade. Questionar não era mais risco de vida e as empresas de uma hora para a outra se viram obrigadas a responder perguntas de toda ordem, vindas de diversas direções. Era fundamental, então, alinhar todas as respostas para manter seu público interno e externo em perfeita sintonia. Não era tarefa fácil, após tantos anos de cerceamento e vigilância dos órgãos do governo.

Foi então que surgiram algumas idéias pioneiras. Uma das mais relevantes foi o nascimento na Rhodia da Gerência de Comunicação Social, que se responsabilizou por garantir a integração entre as diversas práticas deste setor, dentre elas o relacionamento com a imprensa (assessoria e publicações), as relações públicas (projetos comunitários e institucionais) e o marketing social (pesquisa de mercado, valorização do consumidor e publicidade). Este plano foi difundido para veículos, escolas e outros grupos de interesse e rapidamente se firmou como modelo para outras organizações. O tratamento estruturado das informações auxiliou o rompimento dos feudos e abriu o cenário corporativo para que a comunicação entre os diversos públicos fluísse de forma direta e eficiente.

A esperança era o combustível daqueles coloridos anos 80. Mas uma crise inesperada e surpreendente tomaria de assalto a opinião pública e a sociedade e abalaria profundamente este movimento de retomada.

Fonte

** Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997, p.32

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