A comunicação organizacional através dos tempos – Parte 5

Nos capítulos anteriores, vimos como a Revolução Industrial e o florescimento dos Sindicatos influenciaram diretamente o nascimento das atividades de comunicação nas organizações. Entretanto, devemos lembrar que o Brasil viveu de forma um pouco tardia estes movimentos já citados anteriormente. Assim, os registros de processos de comunicação organizacional também demoraram a ser vistos.

A “revolução industrial brasileira” só veio a acontecer, de fato, a partir de 1950, impulsionada pela implantação da indústria de base pelo segundo governo Vargas (são desta época a criação da CSN e da Petrobrás) e pelas políticas avançadas do presidente Juscelino Kubitschek. Mas já nos anos 30, a queda da cafeicultura após a crise de 29 fez com que o capital fosse transferido para a indústria e se instalasse nos grandes centros do Sudeste. Rio de Janeiro e São Paulo começavam a ganhar ares de metrópole e o transporte e infra-estrutura destas cidades muitas vezes foram gerenciados por companhias estrangeiras. Foi desta maneira que na The São Paulo Tramway Light and Power Company Limited (que deu origem à Eletropaulo) surgiu o primeiro setor de Relações Públicas do Brasil. **

Entretanto, tomemos por referência a década de 50. A política estratégica de JK incentivava a instalação de multinacionais em território brasileiro. Novas culturas empresariais por aqui desembarcaram, modificando radicalmente o modo de pensar das organizações, conforme análise de Margarida Kunsch em sua obra Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional:

“As multinacionais trouxeram consigo uma cultura e valorização da comunicação, sobretudo das áreas de propaganda, publicidade e relações públicas. No que se refere a estas, muitas empresas, sobretudo as do ramo automobilístico, reproduziram aqui as experiências já vivenciadas em seus países de origem, criando os primeiros departamentos do setor, que começou a se firmar como responsável pela comunicação empresarial, às vezes até em nível de diretoria.” **

Junto aos grandes conglomerados, como as principais potências da indústria automobilística, chegaram ao país também agências de propaganda, que traziam conceitos já difundidos no exterior, principalmente nos Estados Unidos.

Vale lembrar que os primeiros passos para a sedimentação da atividade de comunicação empresarial – origem da comunicação interna – se deram no território norte-americano. Até o final do século XIX, não havia nenhuma preocupação com o público ou com a imprensa. Há até uma célebre citação de um renomado empreendedor – “the public be damned” – algo como “pouco importa o público” em uma tradução menos literal, que simboliza o pensamento em vigor até então.

É neste contexto que surge na primeira década do século XX a figura de Ivy Lee, um jornalista que focou seu trabalho na relação das empresas com seus públicos, neste primeiro momento basicamente com a imprensa. Um de seus trabalhos mais célebres foi a estratégia criada para a família Rockfeller em 1914, quando sua imagem estava bastante deteriorada em função da relação de maus tratos que grevistas teriam sofrido em uma das empresas do grupo, a Colorado Fuel and Iron Co.

Para reverter este cenário, Lee focou na revitalização da imagem pessoal de John Rockfeller, transformando-o em um filantropo e benemérito de causas sociais perante a opinião pública. Muitos estudiosos creditam este trabalho como um dos marcos da atividade de relações públicas e, consequentemente, da comunicação empresarial no mundo.***

Assim, quando as agências de publicidade americanas, como a JW Thompson e a McCann Erikson, desembarcaram por aqui, já traziam consigo conceitos mais atualizados de comunicação e, ao atender às multinacionais que despontavam no cenário industrial brasileiro, começaram a ditar um novo ritmo de trabalho, que iria se modificar profundamente ao longo dos anos 60 e 70.

Fontes

** Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997, p.19-20

*** Pinho, Julio Afonso. O contexto histórico das relações públicas. 

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