A comunicação organizacional através dos tempos – Parte 4

O século XIX assistiu ao nascimento de um movimento social de extrema importância que afetaria profundamente o ambiente interno das organizações – neste primeiro momento basicamente às fábricas – e provocaria impactos marcantes na comunicação entre patrões e empregados: os sindicatos.

Fundamentado pelas idéias de Marx, Friedrich Engels escreveu entre 1844 e 1845 a obra “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, que apresentava a visão do marxismo para os sindicatos:

“(…) ao atestar que a concorrência não existe apenas entre os capitalistas, mas também entre os próprios trabalhadores, Engels afirmava que os sindicatos seriam os primeiros esforços dos trabalhadores para suprimir essa concorrência entre si e os via como um instrumento importante para conter a ânsia dos capitalistas (…).” **

Nas últimas décadas do século XIX, os sindicatos se tornaram a expressão do movimento operário. Para Marx, o papel destes agrupamentos de trabalhadores tinha mais que um viés social, e sim, o fomento educativo de um projeto de revolução social, que procurava disseminar entre os empregados a sua força enquanto componente da produção da riqueza, e assim, diminuir o poder da relação entre exploradores e explorados.

Com a Revolução Russa de 1917, o mundo passou a viver sob uma “ameaça vermelha” e encontrou na classe operária uma de suas expressões mais latentes. O universo capitalista os via como entraves para a franca industrialização, potenciais opositores aos sistemas fordista e taylorista, que se fundamentavam na produção em massa. Taylor, por exemplo, propunha um estilo de gerência científico, com procedimentos padronizados de trabalho, estudos metodológicos e a criação de especialistas em eficiência, conforme assinalou Robert Levering em sua obra “Um excelente lugar para trabalhar”. ***

Nestes ambientes havia pouca comunicação e a intromissão dos “agentes” sindicais era uma ameaça ao projeto dominante. Portanto, as organizações se viram obrigadas a lançar mão da sua própria comunicação, sob pena de “perderem a vez” no discurso e deixar a última palavra para os sindicatos.

Citamos novamente Margarida Kunsch em outra referência aos apontamentos de Gaudêncio Torquato no que se refere ao surgimento do jornalismo empresarial:

“A conscientização gradativa do operariado, com os choques entre o capital e o trabalho, fez despontar a imprensa sindical, que gerou o aparecimento da comunicação empresarial como uma forma de reagir à nova realidade.” ****

As primeiras décadas do século XX, impulsionadas por um mundo em ebulição que assistiu a duas grandes guerras, foram a base perfeita para o nascimento da comunicação empresarial, que se fazia cada vez mais necessária.

Fontes

** Almeida, Eneida. Breve História do Sindicalismo.

*** Levering, Robert. Um excelente lugar para se trabalhar: o que torna alguns empregadores tão bons (e outros tão ruins); tradução Eliana Chiocheti e Maria Luísa de Abreu Lima. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997.

**** Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997, p.56

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