A comunicação organizacional através dos tempos – Parte 3

No post anterior, vimos como a Revolução Industrial influenciou a organização da sociedade europeia e provocou um impacto imediato nas relações trabalhistas. Mas antes mesmo das fábricas tomarem conta da paisagem, um outro fenômeno de extrema importância modificou para sempre o modo de viver da civilização humana.

Por muitos séculos, a tradição oral era a única forma de se transmitir o conhecimento adquirido. A figura do homem mais velho, experiente, guardião de “segredos” transmitidos de pai para filho dominava as estruturas culturais. Assim era nos pequenos negócios da época, caracterizados pela presença maciça de toda a família.

Entretanto, no século XV, uma invenção iria revolucionar a forma de transmissão de dados e ficaria marcada na história como uma das maiores descobertas da humanidade. Por volta de 1440, o alemão Johann Gutenberg criou a impressão com caracteres móveis, conhecida também como tipografia.

A partir daí, as classes mais abastadas, principalmente a Igreja, utilizaram-se desta técnica para difundir suas ideias. O serviço era restrito a esta elite e tinha uso quase que controlado. O cenário permaneceu assim configurado por cerca de quatro séculos.

Na passagem do XVIII para o XIX, o desenvolvimento tecnológico permitiu a invenção, dentre outras coisas, de diversos métodos para impressão em série, como as prensas rotativas (1803), a gravação de matrizes (1859) e a composição de tipos móveis: monotipo (1894) e linotipo (1886). Em 1845, registrou-se o nascimento da celulose, que permitiu a redução no custo da fabricação do papel.

A imprensa, então, deixou de atender primordialmente à Igreja e à elite e caiu nas mãos da nova classe dominante, a burguesia, que se utilizou do jornal para controlar e disseminar suas idéias.

Retomamos então o pensamento de Gaudêncio Torquato que aproxima o desenvolvimento da imprensa ao florescer da atividade empresarial:

“Os processos de editoração e impressão, que, à medida que se dava o crescimento tecnológico, foram tendo seus custos barateados, possibilitaram um avanço gradativo na produção de publicações.” **

Com o aumento significativo da circulação de informações através dos meios de comunicação, as empresas não podiam mais esconder fatos tanto do seu público interno como do externo. Os jornais passaram a fazer parte do dia-a-dia de pessoas de diferentes classes sócio-econômicas. No decorrer das décadas foram sendo agregadas nos periódicos novas reportagens sobre o mundo corporativo. No Brasil, a primeira editoria de Economia veio a surgir apenas em 1963, cujo responsável foi Pery Cotta. ***

Para finalizar esta questão, citamos novamente Gaudêncio Torquato: “O desenvolvimento dos meios de comunicação de massa e das indústrias das comunicações influenciou no comportamento das empresas, que se viram compelidas a prestar mais informações a seus públicos.” **

Alguma semelhança com nosso post Comunicação Interna 2.0? No texto, ressaltávamos que Carlos Nepomuceno traçava um paralelo entre o florescimento da banda larga e a profusão de Redes Sociais com a disseminação da Imprensa no modo de pensar e agir da comunicação dentro das organizações.

Estes dois movimentos servem como marcos históricos na reflexão de como gerir a informação no ambiente corporativo. O olhar sobre o passado que acabamos de fazer neste momento reforça essa visão.

Fontes

** Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997

*** Revista PJ:Br, Edição 04, 2º semestre de 2004

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