A comunicação organizacional através dos tempos – Parte 2

No post anterior, apresentei o panorama da Comunicação Interna antes da Revolução Industrial. Com a produção artesanal e a pouca concorrência nos pequenos mercados existentes, a preocupação com a divulgação do excedente da produção era quase nenhuma e o ambiente dentro das oficinas, quase sempre familiar, favorecia a unidade e o alinhamento das informações sobre o trabalho.

Com a passagem da produção artesanal manufaturada para a implantação das fábricas com suas potentes máquinas a vapor ocorre, então, uma transição da vida rural para a vida urbana, acentuada pelo surgimento do trabalho assalariado que logo fixou a existência de duas classes: os burgueses e os proletários. O capitalismo assume de vez seu lugar nas relações sociais com os desdobramentos a que todos já fomos apresentados.

Este movimento teria um segundo momento já no século XIX, com o surgimento da energia elétrica e do petróleo e o florescer da indústria de siderurgia, base para o nascimento de tantas outras práticas fabris. A esta altura, países como Estados Unidos, França, Itália e Alemanha já contavam com este cenário.

A indagação que fica é: como este movimento influencia a comunicação interna e externa nos negócios? Margarida Kunsch ao apresentar um histórico da comunicação organizacional no Brasil, cita Gaudêncio Torquato, um dos autores de referência neste campo, para contextualizar este momento importante da sociedade ocidental:

“O progresso das indústrias trouxe consigo a automação, dando-se então uma mudança radical nas relações que antes vigoravam entre empregadores e empregados nas manufaturas domésticas, onde elas eram interpessoais e familiares. (…) O êxodo de pessoas do campo para a cidade, para trabalhar nas indústrias como operários, provocou um choque cultural. (…) As facilidades inerentes ao regime de produção em massa passaram a exigir das organizações, no contexto do regime competitivo, maiores esforços para torná-las conhecidas e promover seus produtos e serviços, iniciando-se todo um trabalho de comunicação mercadológica.” **

Podemos perceber, assim, que tanto a comunicação interna como a externa foram profundamente abaladas por esta mudança nos meios de produção. As pequenas oficinas deram lugar a fábricas com um ritmo intenso de trabalho, ocupada por pessoas de diferentes grupos sócio-culturais e com regimes laborativos rígidos e estressantes. Era preciso determinar uma maneira de se comunicar com estes funcionários e de forma equalizada e eficiente, sob pena de prejudicar o movimento intenso de crescimento industrial.

O aumento na oferta de produtos gerou um excedente que precisava ser comunicado a esta massa de trabalhadores assalariados que agora podiam realizar compras e seguir os padrões de moda vigentes. Extrair os desejos e necessidades deste público era necessário para realçar os diferenciais de seus produtos e serviços e assim conquistar este novo e fiel admirador.

A Revolução Industrial trouxe alterações definitivas na economia e na sociedade, mas afetou também o modo de pensar e de se comunicar de maneira vertiginosa.

** Fonte: Rego, Francisco Gaudêncio Torquato do, apud, Kunsch, Margarida. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997, p. 55.

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